Fuga

O movimento me apaixona. A noite me apaixona. As luzes me apaixonam. Componho e efetivo minhas imagens no momento da captura. A ideia surge, e eu ponho em prática. Cérebro, nervos, ação, disparo. O momento congela. O tempo para. O relógio, em um sono profundo, deixa seus ponteiros como que estátuas adornando o mostrador. A concepção da imagem se perpetua.

Tenho uma cumplicidade com o movimento. Os rastros, a velocidade, a indefinição de onde se está e para onde se vai… Um olho de furação. Um redemoinho de luzes que explodem em cores fantasmagóricas que deixam marcas. Como cicatrizes. Como veias abertas deixando escorrer seu sangue de luz. Talvez um animal enjaulado roendo as grades para fugir. Talvez a fuga de mim mesmo.

A Fotografia no documento das lembranças da vida

Artigo revisado e reescrito pois a lembrança ainda está muito forte!

A nossa vida, desde o nascimento até a morte, é cercada de fatos que vão nos marcando, moldando, lapidando. Os primeiros passos, o primeiro tombo, o primeiro dia de aula na escola, o primeiro beijo, o primeiro trabalho, o primeiro voo de avião, enfim, são acontecimentos que marcam. E nos tornam pessoas com história. Com história de vida.

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Vitoret D, a compacta 35mm da Voigtländer

Numa época em que a máscara se tornou parte integrante da indumentária, e o álcool gel poderia até ser transportado em um recipiente ornamentado, atado à cintura – como em uma cartucheira que transporta uma arma, só que uma “arma do bem”, contra um inimigo número um da humanidade – vamos tentando de alguma forma sobreviver a essa ameaça viral que por longos meses está mudando hábitos, formas de pensar, e também criando problemas de depressão, tristeza, isolamento e morte.

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Quando a determinação vence a opressão: Miroslav Tichy.

Esses dias, durante minhas pesquisas pela Grande Rede, me deparei com uma imagem a princípio surreal. Olhei bem, fiquei intrigado e depois de alguns segundos pude perceber o que estava sendo exibido na pequena tela do aparelho. Uma câmera fotográfica! Sim, isso mesmo, uma câmera fotográfica feita com sucata. Latas, tubos de papel ou plástico, vidro, carretéis de linha, barbante, elásticos e o que mais a criatividade pode proporcionar.

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Kapsa “Pinta Vermelha”, uma raridade…

Desde que me conheço por gente, sempre gostei de imagens, motocicletas, movimento. E, nas brumas do tempo, lá pelos meus 7 anos de idade, tive meu primeiro contato com uma câmera fotográfica, que hoje se tornou raridade. Era do meu pai. Muitas fotos da família foram tiradas com ela. Uma câmera simples e robusta, com filme 120 (de rolo), caixa de baquelite preta e fabricada na década de 1950 pela legendária D. F. Vasconcelos. Tenho até hoje, funcionando e muito bem conservada.

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